Tuesday, April 26, 2016

Since it's been a while since my last post I hope to write something about Robert Kanigher and Alex Toth soon.

Tuesday, March 29, 2016

A "Galinha" da SPA



Decorreu no passado dia 22 a entrega de prémios da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Se exceptuarmos a presença de duas figuras ligadas à banda desenhada, João Paulo Cotrim (que até subiu ao palco e discursou - cf. acima) e António Jorge Gonçalves (já lá vou...), a banda desenhada, vejam só (também já lá vou...), brilhou pela ausência nestes Oscarzinhos portugas.

Começando pelo último "já lá vou...": a determinada altura a apresentadora e o apresentador da soirée, Pedro Lamares e Mafalda Arnauth respectivamente, enveredaram por uma rábula em que enumeraram as artes segundo Canudo, Beylie e outros... Depois de chegarem à oitava arte Mafalda Arnauth exclamou, e passo a citar: 
E vejam só, a banda desenhada como nona!
E vejam só, uma fadista a fingir que é apresentadora!

Mas deixemos a ignorância e a estupidez em paz. Até porque o primeiro "já lá vou..." é um pouco mais grave:

Não é de esperar que a SPA ligue peva à banda desenhada (se pouco liga à música!, já lá vou...), como é mais do que evidente. Por aí não esperava absolutamente nada, mas o que foram fazer João Paulo Cotrim e António Jorge Gonçalves a um sítio daqueles? João Paulo Cotrim subiu ao palco para receber o prémio Melhor Livro Infanto-Juvenil. António Jorge Gonçalves era um dos nomeados na categoria... Melhor Livro Infanto-Juvenil. 

Será que alguma fada (e perdoe-se-me a referência infanto-juvenil) rogou uma praga ao pessoal da banda desenhada? Algo do género: todos vocês estão condenados, para todo o sempre, a trabalhar para crianças! Até parece...

Quanto à música: que inanidade! Houve um prémio para Álvaro Cassuto e foi só. Onde estão as categorias: melhor solista, melhor compositor, melhor orquestra, melhor trabalho em prol do património? Até parece que a música é só aquilo que se viu (e, infelizmente, ouviu)... Se era para premiar inanidades com sucesso comercial, como faz a Amadora, prefiro que nem se fale de banda desenhada; neste caso, e se compararmos com o que se passou nas artes plásticas ou no teatro, era preferível que nem falassem de música.

Heureux! [All Right!] by Thierry Van Hasselt

Heureux! [All Right]  by Thierry Van Hasselt, Julie Rousse and Mylène Lauzon 2008.

Thursday, March 17, 2016

Jochen Gerz or The Subtle Passage of Time

A few posts ago I mentioned Narrative Art and Jochen Gerz. Today I want to show you what I meant.


Jochen Gerz, 1974.
(My translation): 
The man, a foreigner by birth, spent most of his life in this street. From his attic to his working place the distance was a few meters only. What kept him here? It was the vista in front of them when they leaved the house: an image in connection with other images, like this writing in connection with other writings. 

Jochen Gerz, 1976.


Until 1974 and 1976 no comic in the restrict field had such complex and poetic word / image relationships. I doubt that many since then do. Needless to say that I would love to see a book full of these. Unfortunately, as most of my dream books, this one will never happen.

Tuesday, March 15, 2016

A Importância de Um "es"


José Tolentino Mendonça resolveu escrever um panegírico fúnebre a Umberto Eco na sua crónica "Que Coisa São As Núvens" da revista E do jornal Expresso de 12 de Março. Acho muito bem! Eis a blurb:
Falava com o mesmo à vontade de Montaigne e de James Bond, de Platão e de Rita Pavone, de Guilherme D'Ockam e do herói de banda desenhada Charles Brown
Umberto Eco falava disso tudo? Falava... em contextos totalmente diferentes. E não é preciso ser um douto exegeta para perceber as dicotomias com que Tolentino nos presenteia.

Mas não é isso que aqui me tráz. A bem dizer este breve texto foi motivado por duas singelas letrinhas. O "e" seguido do "s" no nome "Charles" acima (e diga-se, en passant, porque carga de água é que o tal Brown tem obrigatoriamente de ser um "herói" em vez de ser uma personagem?).

Quanta ignorância, desprezo ou simples indiferença podem duas letrinhas conter?

E, depois, admiram-se que, ao fim de vinte e cinco anos, esteja farto de ver que continua a reinar a piroseira no meio da banda desenhada e o desprezo fora dele, de não ver a besta mexer um milímetro sequer. O contrário é que seria de admirar, francamente...


Tuesday, March 1, 2016

Umberto Eco (1932 - 2016) - Coda

If you are so inclined you may read "The Structure of Bad Taste" here (chapter IX, page 181).

Friday, February 19, 2016

Umberto Eco (1932 - 2016)


Guido Buzzelli, Umberto Eco, 1989.

Another reference point to The Crib died tonight: Umberto Eco, the author of Apocalittici e Integrati (apocalyptic and integrated intellectuals; Apocalypse Postponed is not a translation of Apocalittici e Integrati, it's a reprint of various essays about mass culture previously published in a variety of sources).
The title of Apocalittici e Integrati refers to two possible points of view about mass culture: those who see it as a sign of decadence and those who have no problems with it. Eco said that the title was the publisher's invention to boost sales with a hint of polemic. Looking at the Table of Contents such polemic is nowhere to be found, really... If I remember correctly the book contains semiotic analysis of Peanuts, Steve Canyon, Li'l Abner, but what I found really fascinating was the chapter "La sttrutura del cativo gusto" (the structure of bad taste) in which Eco defines kitsch as the "prefabricazione e imposizione dell'effetto" ("the pre-fabrication and imposition of an effect," translation by Anna Cancogni in The Open Work, 1989, 182). Indeed, when a comic uses manichean stereotypes arranged in what I could call the revenge swirl, a formula that, from Batman to Tarantino gave millions to the Lords of Kitsch, said comic is manipulative and in bad taste.

Thanks for everything, professor Eco!


Umberto Eco, Apocalittici e Integrati, Bompiani, 1964.